A indústria pernambucana e a Selic: cada ponto de alta na taxa implica queda proporcional na produção industrial

A indústria pernambucana e a Selic: cada ponto de alta na taxa implica queda proporcional na produção industrial

Sabe-se que a Selic é a taxa básica de juros, referência para o custo das linhas de crédito de forma geral, e é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que se reúne a cada 45 dias. Mas como o acréscimo percentual na taxa afeta a indústria? Atento ao crescimento consistente da Selic, iniciado em abril de 2021, o Observatório da Indústria do SENAI-PE realizou um estudo para compreender os possíveis efeitos de alta na Selic no desempenho da indústria pernambucana.

A conclusão da análise econométrica foi que, a cada 1 ponto percentual a mais na taxa Selic, a produção industrial em Pernambuco cai aproximadamente 0,98%. Esta queda, contudo, não ocorre no mesmo mês da alteração dos juros, mas apresenta uma defasagem de alguns meses. Os modelos estimados indicaram que os efeitos se reduzem drasticamente entre o sexto e o oitavo mês após a elevação da Selic, ratificando uma relação inversa entre as variáveis.

Com os futuros anúncios de redução na Selic já em 2023, espera-se uma retomada gradativa da atividade industrial. A expectativa é de se chegar a 11,50% ao final do ano, de acordo com projeções do Boletim Focus, que prevê ainda 8% para a Selic ao final de 2024. Vale relembrar que a taxa chegou a 2,0% ao ano durante a pandemia e está mantida em 13,75% desde agosto, gerando um potencial de perda de 11,75% na produção industrial de Pernambuco.  

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A metodologia

Uma maneira de olhar o desempenho da indústria estadual sem ser ofuscado por variações contingenciais é verificar a trajetória do indicador acumulado nos últimos 12 meses. Como este indicador corresponde a uma média móvel, ele é pouco afetado pelo que ocorre em apenas um mês. A produção acumulada nos últimos 12 meses apresentou queda esperada com a pandemia, entretanto, já em junho de 2020, iniciou trajetória de alta até maio de 2021. Os níveis de produção de maio de 2021 estavam muito acima ao que se observava antes da pandemia. Ou seja, a produção industrial pernambucana estava bastante aquecida naquele período.  

Em um segundo momento, de junho de 2021 até julho de 2022, os ganhos da produção industrial se esvaíram, com o estado voltando a patamares anteriores à pandemia. Na busca de possíveis explicações para este comportamento a equipe estabeleceu uma comparação com a política monetária conduzida pelo Banco Central, que parou de elevar a taxa em agosto de 2022. Foi justamente quando o indicador da indústria pernambucana estabilizou a queda e deu alguns sinais positivos.  

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