
Boletim de Novembro de 2025: emprego em níveis históricos vs. indústria sob o freio da Selic
O Boletim Econômico de Novembro de 2025, divulgado pelo Observatório da Indústria, captura a tensão exata que define a economia brasileira neste momento: o sucesso em uma área se choca diretamente com as dificuldades impostas por outra. De um lado, temos um mercado de trabalho forte, do outro, uma política monetária que afeta a produção.
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Mercado de trabalho
A principal notícia veio do emprego. A taxa de desocupação no Brasil caiu para 5,6% no 3º trimestre de 2025, marcando o menor nível da série histórica desde 2012. Em Pernambuco, o cenário também melhorou, com a taxa recuando para 10%.
Em setembro, a criação de empregos formais (CAGED) manteve o ritmo, com um saldo positivo de 213 mil vagas no país. A própria indústria contribuiu com 43 mil delas, impulsionada pelo ciclo de safra: o setor de fabricação e refino de açúcar foi um dos grandes motores.
Apesar do bom desempenho na geração de vagas, o crescimento do emprego em Pernambuco levanta uma questão. A indústria do estado acumula uma queda de 5,9% na produção até setembro. Isso sugere que a criação de vagas está concentrada em setores específicos e cíclicos, como a indústria canavieira.
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Selic no teto
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Taxa Selic em 15,00% ao ano em novembro. A decisão se baseia na missão de combater a inflação.
- Vitória contra o IPCA: os números mostram que a estratégia tem sido eficaz no controle de preços ao consumidor. O IPCA subiu apenas 0,09% em outubro, o menor resultado para o mês em 27 anos. Isso foi ajudado, em parte, pela estabilidade nos alimentos e pela queda no preço da energia elétrica.
- Alívio no custo da matéria-prima: a desinflação também chegou à porta da fábrica. O Índice de Preços ao Produtor (IPP) caiu pelo oitavo mês consecutivo em setembro. Se os custos de produção caem, a pressão inflacionária diminui no futuro.
O impacto no chão de fábrica: No entanto, o alto custo do crédito continua a ser um obstáculo intransponível para investimentos e expansão. A produção industrial brasileira caiu 0,4% em setembro, e setores sensíveis ao crédito, como a indústria automotiva e farmacêutica, registraram recuos.
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Olhando para o futuro
Programa especial para a química: O senado aprovou o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq). Com um investimento estimado em R$ 15 bilhões ao longo de cinco anos (a partir de 2027), o Presiq foca em modernizar, aumentar a competitividade e promover a transição para a economia de baixo carbono no setor.
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Desafio para 2026
A economia brasileira navega entre a resiliência do emprego e a prudência da política monetária. O grande desafio de 2026 será conciliar esses dois objetivos. O Banco Central tem conseguido controlar a inflação, mas a um custo elevado para a atividade industrial. A expectativa do mercado e dos empresários é que, com a inflação sob controle e os custos de produção em queda, o Copom ganhe margem para começar a reduzir a Selic, liberando o potencial de crescimento e investimento que a indústria precisa.
O Boletim econômico de novembro de 2025 pode ser acessado no link abaixo:
Boletim Econômico: novembro/2025


