
Comércio Internacional: É preciso que Pernambuco avalie novas rotas de exportação frente às taxações dos EUA
O cenário global do comércio internacional passa por um período de transformações, marcado pela crescente imposição de barreiras e taxações que reverberam em diversas economias. Para o Brasil, a recente elevação de tarifas por parte dos Estados Unidos sobre alguns de seus produtos tem gerado a necessidade de uma reavaliação estratégica das cadeias de exportação. Pernambuco é diretamente impactado, e suas empresas precisam agora buscar novos horizontes para mitigar os efeitos dessas restrições.
Nos últimos três anos, entre 2022 e 2024, as exportações totais de Pernambuco somaram US$ 6,7 bilhões. Desse montante, os Estados Unidos absorveram 8,7%, o equivalente a US$ 592,8 milhões. Dentro desse fluxo comercial, cinco produtos se destacam por sua representatividade na pauta exportadora pernambucana para o mercado americano, concentrando 62,9% do total, ou seja, US$ 372,6 milhões.
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Os principais produtos pernambucanos afetados pelas novas tarifas
Dentre os produtos que agora se encontram sob o escrutínio das novas taxações americanas e que demandam uma análise estratégica aprofundada são:
Outros açúcares de cana: Com US$ 151,1 milhões, representam 25,5% das exportações pernambucanas para os EUA.
Uvas frescas: Totalizam US$ 93,7 milhões, correspondendo a 15,8% das vendas para o mercado norte-americano.
Chapas, etc., de poli (tereftalato de etileno), de espessura superior ou igual a 5 micrômetros (mícrons): Somam US$ 41,1 milhões, representando 6,9% das exportações para o mercado dos EUA.
Outros açúcares de cana, beterraba, sacarose quimicamente pura, sol.: Com US$ 33,2 milhões, constituem 5,6% do total exportado para os Estados Unidos.
A seguir, detalhamos o panorama de cada um desses produtos, seus mercados atuais e o potencial de redirecionamento.
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Açúcar de cana: Em busca de novos paladares globais
O açúcar de cana, que lidera a pauta de exportações de Pernambuco para os EUA, revela uma diversidade de destinos no cenário global e estadual que pode ser melhor explorada.
Compradores do Açúcar de Cana Brasileiro: No período analisado (2022-2024), a China (12,7%), Índia (7,9%) e Indonésia (7,6%) foram os maiores compradores globais de açúcar de cana do Brasil. Os Estados Unidos aparecem como 14º maior comprador desse produto no Brasil no período analisado, com US$ 964,3 milhões, representando 2,5% do total.
Destinos do açúcar de cana pernambucano: Para Pernambuco, a dependência do mercado americano é mais acentuada, com os Estados Unidos respondendo por 32,8% das exportações, seguidos pela República Democrática do Congo (29,0%) e Canadá (7,5%).
Maiores importadores mundiais: Em 2024, os principais importadores mundiais de “Outros açúcares de cana” foram China (18,4%), Estados Unidos (16,5%) e Índia (14,1%).
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Uvas Frescas: amadurecendo oportunidades na Europa e Ásia
As uvas frescas representam outra importante exportação pernambucana para os EUA.
Principais compradores da uva brasileira: Os Países Baixos (Holanda) são o maior comprador de uvas frescas brasileiras (33,1%), seguidos pelos Estados Unidos (27,7%) e Reino Unido (21,7%).
Destinos da uva pernambucana: Pernambuco reflete essa tendência, com a Holanda na liderança (33,9%), Estados Unidos em segundo (29,7%) e Reino Unido em terceiro (20,6%).
Maiores importadores mundiais: Em 2024, os Estados Unidos foram o principal importador global de uvas frescas (28,2%), seguidos pela Alemanha (12,0%) e Reino Unido (8,5%).
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Chapas de Poli (tereftalato de etileno): América Latina e Europa no radar
As chapas de poli (tereftalato de etileno) revelam uma forte dependência do mercado americano nas exportações de Pernambuco.
Principais compradores das chapas de PET brasileiras: Os Estados Unidos são o maior comprador deste produto do Brasil (56,1%), seguidos pela Argentina (27,1%) e Chile (4,5%).
Destinos das chapas de PET Pernambucanas: A situação se repete para as exportações pernambucanas, com os EUA liderando (57,7%), seguidos pela Argentina (27,7%) e Chile (3,9%).
Maiores importadores mundiais: Em 2024, os principais importadores mundiais foram China (24,4%), Estados Unidos (14,4%) e Japão (5,8%).
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Outros Açúcares: África e América Latina como alternativas
O produto “Outros açúcares de cana, beterraba, sacarose quimicamente pura, sol.” também apresenta caminhos para a diversificação.
Principais compradores de outros açúcares produzido no Brasil: Mauritânia (7,6%), Estados Unidos (5,9%) e Iêmen (5,9%).
Destinos de outros açúcares produzidos em Pernambucano: Pernambuco tem na Mauritânia (13,4%), Tunísia (10,5%) e Senegal (9,1%) seus principais clientes, com os Estados Unidos representando 6,5%.
Maiores importadores mundiais: Em 2024, os maiores importadores globais foram Itália (11,4%), Estados Unidos (6,7%) e Espanha (6,7%).
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Potencial de exportação para outros mercados
As recentes taxações impostas pelos Estados Unidos servem como um alerta para a necessidade de o setor exportador brasileiro, e em particular o pernambucano, diversificar suas rotas comerciais.
A análise dos dados de potencial de exportação, extraídos da ferramenta Trade Map, que como metologia, identifica produtos que o país já exporta de forma competitiva e que têm boas chances de sucesso em mercados-alvo, considerando oferta, demanda e facilidade de comércio até 2029, demonstra que, embora o mercado americano seja relevante, a concentração de risco pode ser mitigada com a exploração de novos destinos.
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Outros açúcares de cana: O Brasil demonstra um potencial não realizado significativo para este produto em mercados como Bangladesh (com um potencial de exportação de US$ 518 milhões), China (US$ 400 milhões) e Coreia do Sul (US$ 339 milhões).
Uvas frescas: O Brasil tem um potencial de expandir suas exportações de uvas frescas, especialmente para a China (com US$ 17,7 milhões de potencial não realizado), Hong Kong (US$ 9,8 milhões) e México (US$ 7,7 milhões).
Chapas, etc., de poli(tereftalato de etileno), de espessura superior ou igual a 5 micrômetros (mícrons): Há potencial não realizado para o Brasil em mercados como México (com US$ 2,4 milhões), China (US$ 0,974 milhão) e Alemanha (US$ 0,776 milhão).
Outros açúcares de cana, beterraba, sacarose quimicamente pura, sol.: O Brasil possui um potencial significativo não realizado em mercados como Chile (US$ 214,7 milhões), Colômbia (US$ 21,0 milhões) e Líbia (US$ 13,6 milhões), que podem ser novas rotas comerciais para os exportadores pernambucanos.
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