
Copom mantém a taxa Selic em 15%: o que motivou a decisão?
Em sua mais recente reunião, realizada nos dias 04 e 05 de novembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, de forma unânime, manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15,00% ao ano. A decisão reflete a preocupação da autoridade monetária com a persistência da inflação acima da meta e com a desancoragem das expectativas de médio prazo, o que, segundo o comitê, exige a continuidade de uma política monetária contracionista.
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Taxa Selic

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Segundo o Comitê, a manutenção da Selic em patamar elevado é fundamental para assegurar a convergência da inflação à meta de 3%. Apesar de sinais recentes de arrefecimento, a inflação ainda apresenta resistência, sobretudo no setor de serviços, impulsionados por um mercado de trabalho aquecido e por um hiato do produto mais positivo do que o projetado anteriormente.
O ambiente externo segue desafiador, com tensões geopolíticas e a volatilidade das condições financeiras globais, fatores que pressionam o câmbio e os preços domésticos. No cenário doméstico, observa-se uma moderação gradual da atividade econômica, embora o dinamismo do emprego e da renda siga sustentando parte da demanda agregada.
As projeções do Copom indicam uma inflação de 3,3% para o segundo trimestre de 2027, ligeiramente acima da meta de 3%. Já as expectativas do mercado, captadas pela pesquisa Focus, permanecem em 4,5% para 2025 e 4,2% para 2026, evidenciando descrença parcial na trajetória de convergência da inflação e reforçando a necessidade de prudência na condução da política monetária.
Entre os principais riscos de alta para a inflação, destacam-se a persistência da desancoragem das expectativas, a resiliência dos preços de serviços e possíveis impactos inflacionários de políticas fiscais expansionistas ou de uma depreciação cambial mais prolongada. Por outro lado, uma desaceleração mais intensa da economia doméstica ou global, bem como uma queda nos preços das commodities, configuram riscos de baixa para a inflação.
Diante desse quadro, o Copom reafirma que a política monetária deve permanecer contracionista até que haja evidências de convergência da inflação para a meta. O Comitê ressaltou que permanecerá vigilante e não hesitará em adotar novos ajustes caso o cenário macroeconômico se deteriore ou as expectativas se afastem ainda mais da meta. A próxima reunião do Copom, que encerra o calendário do ano, está agendada para os dias 09 e 10 de dezembro.


