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Como a indústria farmacêutica quer destravar exportações e reduzir burocracias

Em 2024, para cada dólar ganho com exportações, o país gastou mais de 12 dólares importando medicamentos.

21 ago 2026Marcelo Henrique Barbosa2 min de leitura
Como a indústria farmacêutica quer destravar exportações e reduzir burocracias

Apesar de o Brasil possuir uma agência sanitária reconhecida mundialmente como a Anvisa, a indústria farmacêutica nacional ainda enfrenta barreiras para vender seus produtos no exterior

Em 2024, para cada dólar ganho com exportações, o país gastou mais de 12 dólares importando medicamentos. O resultado foi um déficit balança comercial de US$ 11 bilhões.

Para entender de onde vem esse gargalo e como superá-lo, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Grupo FarmaBrasil, lançou o relatório "Mapa de Cooperação Regulatória Internacional (CRI) da Indústria de Medicamentos”.

O trabalho, traz um panorama sobre como a burocracia e a falta de acordos internacionais travam a competitividade do produto brasileiro.

O principal obstáculo: a duplicação de inspeções

De acordo com a análise, o maior desafio das empresas brasileiras não é a falta de qualidade da produção, mas sim a duplicação de exigências regulatórias.

Para exportar um medicamento, a fábrica precisa apresentar o Certificado de Boas Práticas de Fabricação (CBPF). No entanto, muitas autoridades sanitárias estrangeiras não aceitam a validação já emitida pela Anvisa, exigindo que auditores internacionais venham ao Brasil refazer todo o processo de inspeção. Isso gera:

  • Aumento de custos para as indústrias nacionais.
  • Atrasos de anos até a liberação do produto em mercados vizinhos.

Essa falta de padronização impede que medicamentos fabricados aqui cheguem com agilidade a países vizinhos.

As soluções propostas pelo estudo

Para transformar esse cenário e permitir que o Brasil conquiste novos mercados globais, a CNI traçou um plano de ação ancorado em quatro pilares:

  1. Diplomacia comercial: Negociar acordos bilaterais diretos com países estratégicos (como Colômbia e Peru) para o reconhecimento imediato dos certificados da Anvisa.
  2. Adoção do reliance: Fazer com que as agências sanitárias confiem no trabalho umas das outras, reaproveitando análises já realizadas por órgãos de referência internacional.
  3. Gerenciamento de risco (QRM): Focar as inspeções físicas apenas nos casos de alto risco sanitário, evitando refazer auditorias de rotina sem necessidade.
  4. Alinhamento e transparência: Garantir que as normas técnicas brasileiras acompanhem o ritmo do fórum internacional PIC/S, com consulta prévia da indústria nacional.

Destravar a exportação de medicamentos é um passo para fortalecer a indústria de medicamentos dada a capacidade técnica e qualidade já existente. O país precisa fazer da força regulatória da Anvisa uma ferramenta de diplomacia e competitividade internacional.

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