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Desafios para o setor de panificação: 28% de alta no preço da farinha de trigo e 16% no do pão francês no acumulado de 12 meses

Na variação mês a mês, a farinha de trigo e o pão alcançaram a maior alta em abril, com 7,3% e 4,5% respectivamente.

05 jul 2022Hugo Mello2 min de leitura
Desafios para o setor de panificação: 28% de alta no preço da farinha de trigo e 16% no do pão francês no acumulado de 12 meses

Presença certa às mesas do café da manhã de quase 76% dos brasileiros*, o pão francês tem sofrido consecutivas elevações no preço em 2022, atingindo em maio 12% no acumulado do ano pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A farinha de trigo, principal matéria prima na composição do pãozinho, marcou 21% no acumulado do ano no mesmo período e soma 28% no agregado de 12 meses. Na variação mês a mês, a farinha de trigo e o pão alcançaram a maior alta em abril, com 7,3% e 4,5% respectivamente.

Em abril, um estudo realizado pelo Observatório da Indústria (Senai-PE) - sob demanda do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria do Estado de Pernambuco (Sindipão) – apontou para uma crescente instabilidade nos preços internacionais da commodity do trigo e consequentemente da farinha do trigo, ratificada pelos números mais recentes do IPCA. Parte do aumento no pãozinho o setor tem absorvido, mas outra parte tem sido revertida ao consumidor, que podem optar por algum outro bem de consumo para substituir o pão francês.

Ainda conforme estudo do Observatorio, além dos efeitos do conflito da Ucrânia com a Rússia, outros fatores podem estar influenciando nesse processo inflacionário do trigo, cuja tendência de alta vem desde o início de 2020. Os efeitos da Covid-19 afetaram as cadeias logísticas e a demanda de alimentos, alterando os fretes marítimos e impactando no preço interno. A elevação dos fretes surgiu em decorrência dos transtornos sobre a movimentação de navios, prejudicados pelo fechamento de portos pelo mundo ou ainda por exigência protocolar de períodos de quarentena para as tripulações.

Apesar dos percalços, o segmento de panificação liderado pelo consumo do pãozinho segue praticamente unânime nos lares brasileiros e obteve aumento de 15,3% no faturamento de 2021 com relação a 2020, alcançando a marca de quase R$ 106 bilhões. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), o Brasil tem algo em torno de 70 mil padarias e 2,5 milhões de pessoas ligadas ao setor, seja de forma direta ou indireta.

*dados do Sindipan-MT

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