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O plano real e a inflação: de uma cesta básica mais que completa em 1994 a um carrinho vazio em 2022

Inflação controlada, mas persistente, reduziu o poder de compra da moeda ao longo de 28 anos.

30 jun 2022Hugo Mello2 min de leitura
O plano real e a inflação: de uma cesta básica mais que completa em 1994 a um carrinho vazio em 2022

Prestes a completar 28 anos, a moeda brasileira criada pelo Plano Real passou por um processo de desvalorização desde seu nascimento em julho de 1994. O Real foi implantado com a missão bem sucedida de trazer mais estabilidade ao dia a dia dos cidadãos brasileiros, que chegaram a conviver com quase 2500% de inflação ao ano. Mas mesmo de forma controlada, a inflação sempre esteve presente e minou o poder de compra da moeda ao longo dos anos. Tal efeito pode afetar a confiança dos consumidores e empresários, limitando a capacidade de oferta da indústria e o consequente desenvolvimento econômico do país.

A partir da Calculadora do Cidadão - ferramenta criada pelo Banco Central - ajustada para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), pode-se ter uma ideia da corrosão causada no Real ao longo dessas quases três décadas. Dessa forma, uma pessoa que tinha R$ 13,37 em julho de 1994, seria equivalente a ter R$ 100,01 em junho de 2022. Fazendo o caminho temporal inverso, significaria dizer que uma nota de R$ 100 em 1994, que pagava um salário mínimo e ainda sobrava troco, hoje equivale a menos de 15 reais, menos de 1kg do pãozinho em alguns locais. O resultado os brasileiros sentem no bolso: carrinhos de compra cada vez mais vazios, pressionados pela perda do poder de compra da moeda.

Expectativas

Um dos efeitos da perda do poder de compra se revela no sentimento dos cidadãos pelo Brasil. Em pesquisa realizada pelo Data Folha, 63% das pessoas declararam que não recebem o suficiente para os compromissos financeiros mensais, e 67% acredita numa piora do cenário econômico nos próximos meses. Para 34% dos entrevistados, essa perda do poder de compra tende a piorar, enquanto 33% acredita que deve permanecer como está. A pesquisa aconteceu nos dias 22 e 23/06 com amostra de 2.556 pessoas em 181 municípios e margem de erro de mais ou menos 2 pontos percentuais.

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