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Indústria brasileira segue em recuperação e alcança quarta alta seguida na PIM-PF do IBGE

No comportamento do número índice, obtiveram 0,8% na variação de maio/22 com abril/22, e 0,6% ao se comparar com maio de 2021.

07 jul 2022Hugo Mello3 min de leitura
Indústria brasileira segue em recuperação e alcança quarta alta seguida na PIM-PF do IBGE

A indústria brasileira segue em processo de retomada após o difícil período de pandemia e alcança quarta alta seguida na variação percentual mês a mês da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) (com ajuste sazonal), fechando maio com 0,3% (gráfico 1). Importante destacar que o baixo desempenho em janeiro pode ter sido pela crescente da variante Ômicron, que causou restrições de mobilidade e atestados de saúde, aumentando o absenteísmo e consequentemente a produtividade.

Para facilitar a visualização dessa retomada discreta da Indústria Geral no gráfico 2, foram traçadas três linhas pontilhadas que representam uma aproximação do patamar médio para cada período: I. pré-pandemia (em amarelo), II. durante a pandemia (em laranja) e III. uma pós pandemia (azul). O primeiro, de março/2019 a fevereiro/2020, com número índice médio de 87,0; o segundo, de março/2020 a fevereiro/2021, e média de 83,5; por fim, o período atual que se inicia de março/2021 até o momento cuja média foi de 85,7. Nesse terceiro momento, observa-se que deve ser considerado ainda a onda da Ômicron de janeiro/22 como fator de queda no resultado.

Vale ressaltar que as Indústrias de Transformação tiveram um desempenho ligeiramente melhor na PIM-PF, alcançando na variação percentual mês a mês com ajuste sazonal (gráfico 3) a mesma sequência de quatro meses no positivo obtida pela Indústria Geral. No comportamento do número índice, obtiveram 0,8% na variação de maio/22 com abril/22, e 0,6% ao se comparar com maio de 2021. Por outro lado, um olhar mais detalhado aponta para uma recuperação de alguns setores acima do nível pré-pandemia, enquanto outros permanecem ainda em patamares mais baixos.

Para podermos verificar o quanto a indústria já se recuperou (ou o quanto ainda falta se recuperar) do impacto da Covid e da crise econômica que precedeu a pandemia, comparamos os índices de produção atuais com os de fevereiro de 2020. Observa-se desempenhos positivos como o de “Fabricação de máquinas e equipamentos”, maior alta com quase 23% de ganho, “Fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis” com alta de quase 6%, e “Fabricação de produtos de madeira” com quase 5%. Já “Fabricação de móveis” e “Confecção de artigos do vestuário e acessórios” tiveram baixo desempenho, respectivamente -23,6% e -19,8% na comparação de maio/22 com fevereiro/20.

Os números positivos dos últimos quatro meses (considerando-se a comparação mês a mês) escondem um fato preocupante para o setor industrial: a indústria sente os efeitos negativos da inflação e da política monetária restritiva imposta pelo Banco Central para tentar conter o surto inflacionário atual. A perda do poder de compra da população e a restrição do crédito imposta pela elevação dos juros afetam a demanda fazendo com que a recuperação da indústria ocorra a taxas decrescentes.

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